A solidão (crónica)




O meu nome é Maria, moro em Benfica e tenho uma vizinha que já tem a sua historia comigo e com a vida.
Eu conheci a Dona Rosário à seis anos que é o tempo  que estou no prédio.
Tinha eu oito anos e a Dona Rosário cada vez que me via oferecia-me um doce, ou por vezes ficava a falar comigo. Também foi algumas vezes a casa dela almoçar, porque ela às vezes sentia-se sozinha.
A Dona Rosário é uma mulher que anda bem arranjada, com vestidos de tecido acetinado, com saltos altos e também usa uma maquilhagem adequada à sua idade, que por sua vez é noventa.
Quando a Dona Rosário era mais nova sofreu várias otites, deixando-a surda de um ouvido. Actualmente ainda tem esse problema, tendo que retirar com alguma frequência o aparelho de audição, o que faz com que tenha a televisão ligada muito alta até muito tarde, o que não beneficia muito o meu sono.
Nas vezes que nos encontramos no elevador, que por sua vez não são muitas, mas foram as suficientes para saber algumas coisas da sua vida, como por exemplo: tem um filho em Londres, tem uma filha que nunca a visita e quando o marido era vivo este batia-lhe, ou seja, a Dona Rosário foi vítima de violência doméstica.
Ás vezes perguntou-lhe se ela se sente bem com a sua situação de solidão, e ela responde-me sempre a mesma coisa:
- Mais vale só do que mal acompanhada...

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